segunda-feira, 15 de agosto de 2016

RODA NORTE OU RODA SUL, #EISAQUESTÃO

         Bom dia meus queridos. Como vão vocês?
         Hoje eu venho falar de um assunto meio polêmico: Roda do Ano.
        Uma coisa tão simples e pessoal, mas que mesmo assim cria muita confusão nos meios pagãos.
        Não venho aqui falar o que é certo e o que é errado, primeiramente porque o que é certo para mim pode não ser o certo para você, mas também porque a escolha da sua forma de rodar a roda é sua obrigação, não minha. Eu venho falar somente como eu faço, como deu certo para mim. Mas antes vamos passar um pincel por cima do que é a Roda do Ano?

         A Roda do é o ciclo de rituais solares, baseados no Deus Sol, sua ascensão e declínio durante o período de 365/6 dias. É composta por 8 celebrações, que são essas Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lammas, Mabon, Samhain e Yule. 

         Roda Norte: Guiada pelo movimento do Sol no Hemisfério Norte (HN), e o oposto da Roda Sul. É o tipo de roda dos nossos ancestrais da Arte. 

         Roda Sul: Guiada pelo movimento do Sol no Hemisfério Sul (HS), e o oposto da Roda Norte. Foi adaptada para nós que moramos no HS quando a Wicca chegou por aqui. 

         Roda Híbrida: Guiada pelo movimento do Sol em ambos os Hemisférios, sendo comemorados os Sabás Menores (ostara, litha, mabon e yule) pelo HS, e os Sabás Maiores (imbolc, beltane, lammas e samhain) pelo HN. 

         Aqui em casa nós seguimos a Roda Norte. Oooooh! ~cara feia de um lado, aplausos de outro, indiferença no meio~
         Alguns podem perguntar: Ah, mas como você pode rodar pela Roda Norte se você mora no HS? Você está negando sua terra!
         Eu respondo isso: eu vejo os sabás como um ciclo puramente espiritual. Enquanto as estações se manifestam na natureza, os Sabás se manifestam no seguimento da minha vida, nas minhas realizações, no meu ciclo energético. 
         Vou dar um exemplo: Vamos falar de Imbolc. Ele é o recomeço depois de um tempo de recolhimento, a saída de dentro de casa para o exterior que se renova. As pessoas que ficaram separadas voltam a se encontrar. É o tempo da purificação, da limpeza física. As pessoas da família, que ficaram um longo tempo "aturando" um ao outro agora voltam aos seus afazeres. Gente, essa é a descrição perfeita para o início de Fevereiro, quando estamos saindo do aconchego as férias e voltando "à vida". É início de aulas, volta ao trabalho, época em que as pessoas fazem a faxina de início de ano. Imbolc é comemorado no HN por volta do dia 1º de Fevereiro. Viram?

         Ok, tem a ver, mas em Fevereiro estamos entrando no Outono, e você está comemorando a Primavera!
         Essa é fácil de responder: é só não comemorar Imbolc como início da Primavera. Tá loka mulher, como assim não comemorar Imbolc como início da Primavera? Como eu disse, eu não comemoro os Sabás como o ciclo da natureza, mas sim meu ciclo. Eu comemoro Imbolc como o início de coisas novas, como a renovação, a purificação, o recomeço. É a época de semear o que queremos colher, mas não precisamos, necessariamente, que o mesmo ocorra na natureza.

         Blasfêmia! Como assim "não precisamos que o mesmo ocorra na natureza"? A Wicca é uma religião voltada à Terra, e você quer se separar dela? 
         Calma ai, também não é assim. Eu também comemoro os ciclos da natureza. Comemoro as estações do HS, e as mesclo com a simbologia da Roda Norte. Oi? Calma, eu explico. Vou mudar meu exemplo para Yule (é o exemplo mais fácil de se entender). 
         A simbologia de Yule é o que? O pinheiro; banquete temperado com canela, gengibre, cravo; os presentes; a reunião familiar; a escuridão do ápice do inverno; etc.
         Nesse mesmo período aqui estamos comemorando o ápice do verão, que é marcado por MUITA chuva (pelo menos aqui onde eu moro). Acaba que ficamos confinados em casa (assim como o pessoal do HN), não por conta da escuridão do inverno, mas pela escuridão das nuvens de chuva. Um ponto pra mim. 
         Também é nesse período em que ocorre o Natal cristão, e aqui eu mato três coelhos com uma pancada: a reunião familiar, os presentes e o banquete. Ah, mas somos pagãos, não comemoramos o Natal! Ok, mas tenho certeza que você tem algum parente ou amigo que é cristão, e você pode muito bem comemorar com essas pessoas. Vai ser legal, além do fato de que se você respeitar a religião deles, será mais fácil eles respeitarem a sua. 
         No mais, sobra o pinheiro. Nós o enfeitamos com as bolinhas típicas, e também com objetos que representam algo importante que aconteceu no ano. Mas também colocamos flores e frutas, representando o nosso querido verão, e enfeites com as cores azul e cinza, representando a chuva. 

         Vou detalhar cada Sabá nosso em uma série de posts, aguardem ;)
         Enfim, é isso. Deixem ai nos comentários qualquer dúvida que tiverem a respeito dessa loucura toda. Um beijão para vocês. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

SOBRE O PORQUÊ DO BLOG



         Desde meus 15 anos me interesso pelo paganismo e pela bruxaria, mas não fui uma adolescente dedicada a viver uma vida baseada nisso. Conheci o a Arte por meio da Wicca, mas logo me dispersei e passei a entrar e sair de crenças e religiões diversas, todas não cristãs. Minha mente ficou tão conturbada com as informações e crenças variadas que um dia eu decidi largar de mão, e passei a viver como uma pessoa não religiosa. Eu nem sabia mais em que acreditava.
         Passado algum tempo, me descobri grávida, mas passei a gravidez toda fugindo de qualquer coisa ligada à espiritualidade. Quando meu filho fez 8 meses eu já me sentia vazia, como se algo faltasse dentro de mim. Com esse sentimento voltei a desenvolver minha espiritualidade bem devagar, tentando mais uma vez achar meu lugarzinho no mundo. Voltei a estudar a Wicca, conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram bastante no meu retorno para a Arte.
         Ainda assim estava convencida de que não criaria meu filho em nenhuma religião, que quando ele tivesse idade suficiente ele mesmo escolheria o caminho que mais condizia com sua alma. Tudo utopia, claro. Porque, mesmo eu não influenciando o meu filho, o mundo se encarregou disso.
         Começou com minha mãe lendo histórias para ele que falavam do Deus Cristão, o doutrinando para saber sobre pecado, céu, inferno, diabo, etc. Depois uma pressão insuportável para que eu o batizasse na Igreja Católica, e que o apresentasse na Igreja Evangélica (o que eu fiz, pois não vi motivação para não fazê-lo). Tinha os primos que cantavam musiquinhas da Aline Barros, os tios que queriam levar para a Igreja no domingo... Em todos os cantos havia uma pessoa, uma imagem, uma música para ensiná-lo a crença Cristã.
         Foi ai que decidi que, se fosse para criar meu filho em uma crença específica, que seria no Paganismo.
        E então o desafio começou.
         Como eu, que havia acabado de retornar à Arte, ensinaria a outra pessoa o que é o Paganismo, se nem eu mesma tinha certeza do que era?
         Eu pesquisei loucamente (sim, sou a Loka das Pesquisas), mas pouco se acha sobre criação de crianças pagãs. Achei algumas poucas coisas sobre Pagan Parenting (paternidade pagã), mas muito pouco me foi útil realmente. Fui coletando informações aqui e ali, misturado com muita tentativa e erro, até que achei algo que funcionou para nós.
         Eu decidi criar esse blog com a intenção de ajudar os pais que, assim como eu, se sentem perdidos. Espero poder ajudá-los.

         Um grande beijo, Dolce.